Pois é, né? A viagem ao FSM pode ter sido boa, ótima, sei lá, amorosa ou redentora, mas, vamos lá, mostremos o "outro lado", afinal das contas, o lado B é sempre o mais legal.

 Nat despicaretando-se... Como pode alguma alma crer em tal relato auto-referente, em algo tão crível quanto a Sandy ser virgem ou o Júnior gostar de garotinhas? Vejamos bem o que de fato ocorreu no FSM, deixando de lado a versão oficialesca:

Horrorizadas com o ambiente de liberdade, democracia e diversidade total que tomava conta no alojamento autogestionário do CMI, Natália Suzuki, a fascista (e digam se seu nome não é o de mafiosa) e sua co-mentora Ângela Mariolini (idem...) retiram-se do local em que foram calorosamente recebidas e se esconderam em um MOTEL (isso mesmo!) nos ermos becos inacessíveis da capital Sul Riograndense, onde puderam exercer suas atividades escusas longe da vigilância de ativistas anarquistas. Isso mesmo; não agüentaram o alojamento e foram tomar leite no conforto de camas redondas e quentes jacuzzies. Pode haver maior picaretagem?

Se nossa colega Renata, se não me engano, salientou o fato de haver chovido em São Paulo, vale eu ressaltar que em Porto Alegre o clima foi marcado por um sol incessante. Isso mostra que a suposta grande mudança no caráter de nossa colega Natália Suzuki não ocorreu. Eu diria certamente o contrário.

  

Continuando a desconstrução de mentiras descaradas que se divulgaram – assim como a daquelas que não se divulgaram nem divulgar-se-ão –, sinto-me obrigado a mostrar um outro lado da nossa pretensamente imaculada colega Maria Denise.

Lembram-se das declarações ácidas da citada em relação aos garotos que não tiveram a oportunidade de tomar banho durante a visita ao acampamento dos Sem Terra, em Tremembé? Pois bem. A atitude da senhora Maria Denise no FSM mostrou que tudo antes dito era pura tentativa de desqualificar seus colegas, uma vez que ela própria mostrou-se pouquíssimo assídua nos hábitos de higiene corporal mínimos para a manutenção de sua integridade física.

Não querendo alimentar conjecturas, afirmo minha suspeita de que ela tenha sido responsável pela falta de água que assolou aquele alojamento onde, conseqüentemente, mais de cem pessoas passaram a sofrer pela inacessibilidade das latrinas e dos chuveiros.

 

Napô amando... por trás dessa declaração tão tocante há uma séria perversão que bota em cheque a validade de tão supostamente louvável sentimento. Vendo o estado deplorável de um sujeito que dormiu menos de três horas por noite, tomou menos banhos que se pode considerar o mínimo para a manutenção da saúde, pode-se chegar facilmente à conclusão de que ele teria sofrido muito. Que engano! Isso apenas provou sua personalidade masoquista, de quem somente das chagas é capaz de sentir o prazer. Prova disso foi a noite em que nosso antes distinto colega dormiu entre mochilas em um estreito degrau de escada. Por meu recato, privei-me da experiência de me aproximar do pervertido, mas se o tivesse feito, certamente teria ouvido os grunhidos de prazer que tal difamável criatura emitia em seu sono escasso.

Não bastando seu masoquismo, Napoleão mostrou seu lado sádico, obrigando, em seu deleite, seus cândidos coleguinhas a trabalharem forçosa e gratuitamente, como se esses também pudessem do sofrimento tirar o prazer. Não bastando isso, decidiu prolongar o martírio de seus subjugados, forçando-os a trabalharem após o FSM na produção escrava de um “especial” sobre o evento. É inadmissível que alguém compre a idéia de que tal déspota depravado tenha algum amor no coração, seja tal amor por seus próximos, seja por ele mesmo.

 

Como não quero prolongar mais esse email, vou dar alguns drops de informação para que os não contemplados com a felicidade de ir ao FSM possam ter alguma leve idéia do que se passou:

-         Rafael Sampaio é visto dançando samba após ter mamado bem gostoso. Os batucadores eram anarquistas do CMI comemorando a última noite de FSM. O festejo, que se estendeu até as sete da manhã, ocorreu em cima do lugar onde Maurício Horta deveria estar dormindo. “Poooorra, eu mamei umas déiz cerva e tomei umas pinga. Eu devo tá falando umas coisa meio sem sentido, mais é qui eu tomei umas déiz cerva. Eu tô chato? Mais si eu tô chato é pur que eu tomei umas pinga. E umas deiz cerva! Pódi crê. Di boa. É,o saca só, di boa, hehe. Cê tá m’intendendo?  BARULHO!!!!” O dançarino foi reconhecido após serem desmentidas as suspeitas de que ele fosse uma perereca elétrica que teria invadido o alojamento.

-         Equipe de limpeza da ECA ganha troféu de melhores esfregadores de privada. Com a falência do sistema autogestionário dos banheiros do CMI (uhm...), foram delegados grupos para limparem os sanitários do alojamento. Munida de detergente sabor maçã e água sanitária genérica, a equipe ecana foi a única a conseguir o branco mais branco nas privadas, tendo conseguido acabar com as cracas de origem mais duvidosas que se instauraram nos vasos ao longo de seu exaustivo uso. Parabéns, mais uma vez, à ECA.

-         Proprietário da sobreloja em que CMI se aloja recebe o troféu de Joinha do Ano. Após cortar a água do alojamento e de denunciar à polícia que os locatários seriam um grupo de terrorismo internacional, tiozinho da hora extorque o CMI e ameaça cortar a energia elétrica do prédio.

-         Sue ganha título de mais sem noção no Cobrecos e desaparece no FSM. Alguém viu nossa Hello Kitty por aí???

 

Pois é, pessoal. Deu para se divertir bastante no FSM. Se foi a melhor viagem da vida, isso é pessoal – para mim, ainda não foi. Na verdade, quase todos com quem conversei puderam ver muito pouco. O troço é grande mesmo. Grande prá caralho! Não dá para ter nem uma noção geral do que aquilo tudo é.

O legal é saber que tanta gente está engajada em projetos sociais e que puderam com o FSM fazer um puta dum intercâmbio. Não acho que o fórum tenha sido um espaço de grandes decisões que mudarão o mundo; o que aconteceu lá é algo mais interessante: malhas de organizações com fins sociais fortaleceram-se com o diálogo, estudantes tiveram acesso a novos pensamentos e os passarão adiante. E assim vai. É verdade que espaço foi dado também ao simplismo, moralismo, retórica e discursos emotivos, mas esse não foi o tom do Fórum. O Fórum não teve um “tom”; foi, ao contrário, pura diversidade de questões e enfoques. Foi uma festa.