Terça-feira, 29 de outubro de 2003
Bom, aqui vao as minhas eternas desculpas por nao ter atualizado mais meu site, mas, como voces podem imaginar, estou absolutamente lotado de coisas para fazer. Isso mesmo, as aulas comecaram semana passada e a pilha de xerox nao para de crescer na minha mochila.
Um pouco sobre a universidade na Alemanha
A universidade aqui na Alemanha funciona muito diferente do Brasil. Para comecar, nao existe nenhuma grade básica. No caso de sociologia, há uma matéria introdutória que todos tem que frequentar, mas o restante vai pela escolha do aluno. As aulas se dividem em palestras (Vorlesungen), pró-seminários (Proseminare) e seminários (Seminare). Como diz o nome, a primeira sao apenas palestras que duram um semestre, sem lista presenca, sem participacao dos alunos, em auditórios bastante grandes - como o da História na FFLCH. No final do semestre pode-se fazer um trabalho ou uma prova que dará nota e créditos. Os pró-seminários sao aulas também com um grande número de participantes, mas há a necessidade de inscricao. Além das palestras semanais, em que cerca de cem alunos participam de forma relativamente ativa, há um sistema de tutela em salas menores, onde há espaco para a discussao dos temas abordados em aula. Já os seminários, bom, nao os conheco, pois sao mais para quem já está há mais tempo estudando, mas acredito que sejam aulas como as que temos na ECA, com poucos alunos, mas com muita participacao deles.
Tudo parece interessante, mas na prática esse sistema é um caos completo. Completamente perdidos, os alunos, principalmente os calouros, entram em qualquer aula cujo nome pareca interessante. Portanto, um pró-seminário cujo nome é "Ordem Mundial - Introducao às Relacoes Internacionais" em época de "Guerra ao Terrorismo" terá cerca de duzentos alunos amontoados num auditório nao muito grande, espalhados pelo chao, pelo tablado do professor, na porta, do lado de fora do auditório, enquanto que uma palestra sobre a teoria empírica e sociológica da família terá uns dez participantes num auditório para trezentas pessoas. Como ninguém está matriculado de fato em quase nada, cada um dá uma pingada na aula que parecer interessante até encontrar o/a professor/a de seus sonhos. Poucos momentos na minha vida eu senti falta do Sistema Júpiter da USP...
E o que eu vou estudar? Ainda nao tenho muita certeza. Como outros colegas, ainda estou dando aquela pingada pelas aulas, mas já está certo que vou assistir a "Quadros e Ordem Mundiais - sobre Teoria Política e História do Pensamento das Relacoes Internacionais" e "Língua, Interacao e Identidade". Talvez eu pegue também "Reportando a Guerra - a Imprensa Britanica e o Conflito no Iraque em 2003" (em ingles, que bico...), "Introducao à Psicoanálise - Psicoanálise e Arte" e "Introducao aos Estudos Sócio-Culturais" (também em ingles). Nao parecem tantas matérias, mas a carga de leitura é bem massacrante - se bem que ler os contos dos Irmaos Grimm em alemao já é uma carga massacrante.
A Sue pegou uma matéria meio foda sobre o Estruturalismo. Parece que ela tem que ler um livro tipo "o Suicídio", de Durkheim, por semana. Em alemao nao dá. Pensamos na possibilidade de ler no original, em frances, mas se ela o fizesse, nao seria possível acompanhar as aulas em alemao, devido ao vocabulário. Sempre que nos propomos a estudar algo seriamente, acabamos demorando uma hora a cada uma ou duas páginas, com milhoes de consultas ao dicionário. É incrível. Há palavras que consultamos umas dez vezes e mesmo assim nao conseguimos memorizar seu significado. Nao consigo entender o que há de errado nessa língua. Na minha opiniao, isso é coisa do Diabo, que quer rir da nossa ignorancia.
Bom, agora tenho aula. Depois eu continuo a falar sobre as coisinhas daqui.