Sexta-feira, 26 de setembro de 2003

É incrivel como a tecnologia se volta contra mim neste pais. Acabei de terminar de escrever o texto para esse meu post de hoje. Quando fui transferi-lo para ca, o teclado travou e nao pude mais fazer nada. Tive que mudar de computador e o texto ser perdeu.
Pois bem, vou repetir aquilo que acabei de escrever. Hoje (ou amanha) completa-se o meu primeiro mes aqui na Europa. Poderia perder o meu tempo aqui fazendo um balanco de tudo o que aconteceu, mas creio ser desnecessario - lendo as mensagens que eu postei abaixo ja se pode ter uma ideia boa. Mas, como nao posso deixar esse pequeno aniversario de lado, vou contar o que aconteceu comigo hoje - um dia que resume bem as minhas aventuras germanicas.
Embora preocupado com os meus gastos, decidi ir para a Belgica com a Sue e sua irma, Harumi, para passar um final de semana conhecendo cidades como Antuerpia e Bruxelas. Embora nao fosse o programa mais barato que eu poderia encontrar, seria uma oportunidade que nao teria em um bom tempo. Foi decidido que iriamos de carro, por ser mais barato e proporcionar maior liberdade (eh verdade brincar de Formula 1 nas Autobahnen alemas tambem foi um motivo de peso na escolha). Saimos de casa (casa? que casa?) `as 13 horas pensando em chegar pelas 19.
Tudo lindo, tudo maravilhoso ate que chegamos na fronteira da Holanda (sei que a construcao do conflito foi pobre, previsivel etc, mas nao tenho nenhuma pretensao literaria aqui nesse meu blog). Como se sabe, o transito dentro da Uniao Europeia eh muito facil; so se pode perceber ter entrado na Holanda pela mudanca da lingua nas placas de transito. Mas a historia nao se trata de uma viagem de qualquer um, mas sim do Mauricio Horta. Nada poderia portanto ser facil.
Um policial de motocicleta acenou para a motorista e nos escoltou ate um escritorio movel de oficiais holandeses. Passaportes? Esqueci.
Sei, podem jogar as pedras, ovos, o que tiverem nas maos. Esqueci o meu passaporte. Tinha na carteira somente sua cópia - e ela de nada valia para a policia holandesa. Como se tratava de uma viagem minha, isso nao poderia ser má sorte suficiente. O passaporte da Harumi nao tinha visto, pois, após seu original ser roubado em Paris, o consulado brasileiro emitiu um novo em branco. Se eu nao poderia atravessar nenhuma fronteira, a Harumi por sua vez poderia ser considerada ilegal.
Sim, estresse total. Fomos escoltados de volta para a Alemanha. Fomos em direcao a Colonia, onde comprei uma passagem de final de semana para ir para Frankfurt e voltar. Dessa vez com o passaporte. Agora estou aqui, num cybercafe de Colonia, esperando dar as quatro e meia da manha para pegar o trem. Sim, sim. A catedral eh linda, fantasmagoricamente linda - e no momento estah sendo rodada diante de sua nave uma cena de casamento para algum filme de medio orcamento, o que certamente eh uma grande atracao -, mas nao pretendo passar as proximas seis horas olhando para ela. Deixo aos junkies as escadarias da casa de Deus.
Mas nem so de contratempos eh feito um intercambio. Anteontem encontrei com o meu orientador, o professor Manfred Faßler. Grande figura. Depois desse encontro talvez eu nao fique mais tao perdido diante do excesso de opcoes e da falta de orientacao que a JWGoethe Universitaet me oferece.
Mais uma coisinha. Ontem fui a uma palestra do Habermas. Nao sabia que ele tinha labios liporinos. Jah esperava nao entender muito do que ele falaria. Depois de saber dessa sua peculiaridade, descobri que reconhecer algumas palavras isoladas seria uma gloria. Placar final, quase cai no chao enquanto cochilava. Nao, nao sai de la sabendo muito mais sobre a Escola de Frankfurt...