Terca-feira, 25 de maio de 2004
É raro, mas eis um post feliz Seguindo as limitações de quem tem algumas dezenas de páginas em alemão para a aula de amanhã (continuo teimando em estudar Relações Internacionais por mais que a razão me force a uma especialização em Prendas Domésticas), vou apenas jogar algumas linhas sobre meu último feriado.

Já bastaria livrar-me do trabalho no aeroporto. Bastaria, mas não me bastaria. Quando estou descontente, o mundo tem que se contorcer em terremotos, o/a cólera devora corpos e almas e todos os problemas humanos ficam suspensos diante de nãos intrasponíveis - e sofro mais por sentir que o mundo sofre por minha causa. Mas, quando estou feliz – e, embora faça questão de que não o pareça, por norma é esse o meu estado –, deixo que tudo se encaixe como nos delírios de Selma em “Dancing in the Dark”. E posso ouvir Björk cantando “it’s a musical” (embora certamente prefira impressões debussyanas). E, caro Napoleão, nem preciso de um filho (potencialmente) cego para encontrar motivos.

Pois bem, estou feliz pois estive em Paris. Convidado por uma colega pouco conhecida, alojado em um studio de um desconhecido na Cité, ao lado da Notre Dame, com meu salário no banco. Ponto baixo – descobri que, ao contrário do que disse meu caro amigo Napoleão, há gatos em Paris (e sou alérgico a eles). Ponto alto - o melhor fico por não contar.