Domingo, 24 de agosto de 2003

Infinitas baladas, ressaca, nada para fazer. Tenho só mais dois dias dessas férias prolongadas e não voluntárias. Fora as ótimas baladas, este mês de agosto foi definitivamente o mais improdutivo do ano, e tudo o que ele me demonstrou foi o quão workaholic eu sou. Bom, um workaholic preguiçoso, sem dúvida.
Esse tem sido um daqueles tempos chatos, em que não se pode começar nenhum plano pois logo terá que ser interrompido. É nesse tempo chato que nos distanciamos do que temos feito quase que automaticamente e paramos para pensar "ah, por que é que não estou fazendo outra coisa?". Aí começamos a questionar nossas escolhas - e um sentimento de frustração é inevitável. Como não poderia deixar de ser, estou em mais uma das minhas pequenas crises de ex-pianeiro. Ontem saí para um barzinho (cujo dono descobrir ser o pai de uma amiga clubber que mudou para a Espanha, voltou para São José dos Campos e, entediada com o lugar, foi ao Japão trabalhar como Dekassegui) e comemorei com uns amigos da época do cursinho a minha despedida. Eis que surge um amigo de uma da mesa. Era seu professor de teoria musical. Ele tem 23 anos e começou a tocar piano aos cinco - como eu. Agora estuda na Universidade Livre de Música. Como não podia deixar de ser, o papo virou música, e tudo o que pude imaginar foi se eu estivesse exatamente no lugar dele, vivendo de música. Bom, chegando em casa toquei um pouco e me irritei um tanto por minha mão não conseguir acompanhar meu comando. Insolentes dedos! Pensei abandonar imediatamente o Jornalismo e voltar a estudar música. Mas não ficaria feliz com isso - sem dúvida entraria em dúvida achando minha atividade emsimesmada por demais, e me perguntaria - e aí, resto do mundo?
Então fui conversar com outras pessoas da mesa - uma estuda Filosofia na USP e outra na Unicamp. Impossível não entrar em outra crise - a crise pela qual passa qualquer um que estude Jornalismo: meu curso é superficial e não me sinto conhecedor profundo de nada; ao contrário, sinto-me forçado a tornar-me um Górgias versão multimídia/online.
Nessa altura eu já estava no quarto copo de água com gás e limão - sim, por um tempo serei um garoto álcool-free. Já foram devoradas porções de lula à dorê, polenta frita com molho tártaro e a tradicional batata-frita Jesus Cristo - daquelas que ressucita no seu estômago uma semana depois. Era de se esperar menos de alguém com 260 (ou 290?) de colesterol, mas... sendo uma despedida, eu não poderia fazer uma desfeita tamanha para mim mesmo, certo? Meu regime terá que esperar eu mudar para a Alemanha - afinal, no momento não faço questão alguma de desprezar aquele camarão na moranga e aquela costelinha de porco com bastante alho e limão.
Já que comecei, vou continuar contando as coisas de trás para frente. Na sexta teve a tão esperada mega-balada de despedida. Já havia me acostumado com a idéia do Nïas, que, pela descrição do Napô, deveria ser um ambiente mais interessante do que um galpão sem laje. De qualquer forma, as coisas corream muito bem no Galpão 16. Muita gente. Muuuita mesmo. Melhor mesmo, só o esquenta na casa da Sue. Espero que as pessoas que tiverem tomado caipirinha nunca descubram o que foi usado de pilão. Com isso e outras coisitas (o vinagre balsâmico petrificado, o alho brotado...) mostrou que minha convivência com a Sue na Alemanha será pelo menos criativa.
Como não poderia deixar de ser, apaixonei-me pelo Jornal do Campus Irreverente. "Acorda, Zé" foi ótimo. O box não ficou calcinha e a fonte dos títulos está corretíssima - contundente. Mas o melhor foi o senhor E.H. Tive o desprazer de conhecê-lo no churrasco do Pandemônio, há uma semana. É triste, é triste...
Pausa.
Minha mãe acaba de falar que já deu aula para um sujeito cujo sobre nome era Pinto Machuca. Na verdade ela não sabe bem se era Pinto Machuca ou Machuca Pinto. Bom, não importa a ordem, isso não é um nome, é uma pré-pauta... Imaginei que nunca depararia com um nome pior do que Jacinto Pinto (rua da Vila Madalena), mas parece bom senso nem sempre está com os pais...
Pausa.
Pausa.
Pau S/A. Não dá. Depois do Sr. M.Pinto - ou P. Machuca - vou ver pinto em tudo. Péssimo sinal.