Quinta-feira, 20 de novembro de 2003
Só um drops de notícia: a minha colega de apartamento recebeu o formulário de inscricao do Greenpeace. Algumas dezenas de euro. "Nós precisamos fazer algo pelo meio-ambiente, nao é?", justificou-se.
Nao, nao acredito na humanidade...
Acabei de fazer um mini-seminario sobre uma edicao do jornal britanico "the Independent". Análise meio que superficial, em si nao mereceria nota aqui. O que vale comentar é a matéria. "Reporting the War: British Press during the Conflict in Iraq."
Basicamente, é aquilo que muitos já pediram na ECA, mas que aparentemente nunca haverá: Jornalismo comparado - análise vertical e horizontal da cobertura de um evento pelos meios de comunicacao de um país. No caso da Guerra do Iraque, nossos meios de comunicacao nao mereceriam grande destaque - só para comparar, enquanto que a Folha de SP enviou um só correspondente ao Iraque - e ainda ganhou louros por ser o único jornal nacional a sequer enviar -, the Independent contou com seis em diferentes frontes do conflitos. Naturalmente, o envolvimento ativo do Reino Unido na guerra e as melhores financas da imprensa britanica justificaram uma cobertura muito mais satisfatoria. Já o Brasil fez uma cobertura tao dependente de agencias internacionais que nao faria sentido analisar seu papel nesse case - melhor seria analisar o papel das agencias na cobertura brasileira de assuntos internacionais.
Bom, mas voltando ao que interessa - uma matéria de Jornalismo Comparado. Por que nao pegar a cobertura da reforma da previdencia, comparando os grandes jornais, as grandes revistas, os canais de televisao, a mídia independente e a alternativa? Certamente uma matéria dessas produziria uma quantidade tamanha de textos que poderia transformar-se em um livro, para o ego geral da docencia. Análises de discurso, papel da publicidade governamental, o diabo a quatro. Folha vs. Estado, jornais paulistas contra cariocas e brasilienses, Veja vs. Epoca, Veja e Epoca vs. Carta Capital; Caros Amigos, Brasil de Fato, Ciranda, Pandemonio (eba!!!) vs. Veja, Folha, Estado, Globo; CMI vs. o mundo!
Mas também nao precisaria abordar algo tao complexo como uma reforma previdenciária. Peguemos o caso dos alunos do colégio Sao Luis e facamos análises comparativas Cidade Alerta vs. Brasil Urgente, Cidade Alerta vs. Jornal Nacional, Jornal Nacional vs. SPTV, Cidade Alerta Vs. Agora, Jornal Nacional Vs. Veja, Veja vs. Folha de SP. Poderiam ser abordados temas como agendamento temático e suas implicacoes éticas, narrativacao (lembram do seminário do Paulo em que ele aplicou o modelo de narrativa de contos populares ou folcóricos para abordar a cobertura jornalística do caso da estudante da PUC que matou os pais para namorar?), e outras pequenas delícias. As aulas poderiam se estruturar em debates como os do Dirceu, que, apesar dos pesares, tenho que admitir ter sido o melhor do terceiro semestre.