Terca-feira, 7 de outubro de 2003
Bom, àqueles que ainda nao foram informados, estou com uma ótima notícia: nao sou mais um sem-teto. Os meus dias aqui na Alemanha estao um pouco sem sentido porque nao tenho mais que dedicá-los à minha busca por uma cama. O momento agora é apenas um intervalo sem objetivo algum. Nao vou mais viajar por um bom tempo (enquanto a Sue está na Espanha com sua irma, pulando na festa de Pilar). Acho que vou ler um livro do Faßler - dia 13 o Ciro vai passar aqui em Frankfurt para encontrá-lo, e em duas semanas haverá uma reuniao do seu grupo de estudos, do qual acho que vou fazer parte.
Como disse, estou com um apartamento novo. Vou dividi-lo com uma menina de 27 anos. Nao a conheco e nao me sinto como se o fosse. Acho que agora preciso um pouco de solidao. Comecou o outono e, embora no momento o ceu tenha limpado um pouco, os dias tem sido frios, nublados e chuvosos. Sim, preciso um pouco de solidao para pensar. Acho que muita felicidade ultimamente tem feito mal. Ficou monótona. Cada risada que dou parece uma repeticao medíocre de um mesmo tema.
Minha colega de apartamento é uma menina brega. O quarto onde eu durmo é onde ela dormia quando seu namorado morava com ela. Talvez seja por isso que o lugar parece um quarto de motel. Mas nao tenho muito do que reclamar. O apartamento tem tudo de que preciso - máquina de lavar roupa, geladeira, fogao, torradeira, privada, banheira. É pena que fique um pouco longe da Faculdade (uns vinte e cinco minutos de trem), mas nada que se compare com quando eu morava em Sao Paulo.
Tenho que parar agora porque vou a uma galeria ver uma exposicao sobre arte durante o Stalinismo com alguns amigos. Quase todos sao estudantes de sociologia vindos do Leste Europeu. Digamos que seu ponto de vista sobre o comunismo seja bem diferente daquele de estudantes comunistas da Usp.